



“Loki - Arnaldo Baptista” resume toda uma vida de mutações, loucuras e paixões de um dos principais nomes do rock brasileiro. A sensibilidade do documentário ganha força através da espetacular montagem com os vídeos históricos contados de forma cronológica sua trajetória.
Depoimentos emocionantes do irmão Sérgio Dias e da cantora Zélia Duncan, dos tropicalistas Tom Zé e Gilberto Gil, dos músicos Lobão e Sean Lennon, de vários amigos e pessoas do meio artístico de diversas épocas, destacam momentos com Arnaldo, enriquecendo o trabalho final do filme, que foi produzido pelo Canal Brasil com direção de Paulo Henrique Fontenelle, a partir de um trabalho para um programa de TV produzido pelo canal em 2006, onde a volta dos Mutantes naquele ano se transforma no ápice, que reflete o momento mais empolgante dos 120 minutos da vida louca que o protagonista vive e que estreou na última sexta-feira nas salas de todo o Brasil.
A noite de pré-estréia realizada em São Paulo no dia 18 de junho de 2009, marcou com as presenças do produtor André Saddy, do diretor Paulo Henrique Fontenelle e claro, do músico Arnaldo Baptista, que após a exibição do documentário, aplaudido por cerca de 300 pessoas, ocorreu um bate-papo pertinente à produção do filme.
Histórias divertidas sobre acontecimentos durante a produção, a dificuldade de reunir todos os vídeos, os problemas com direitos autorais e do mercado fonográfico de hoje, foram destaques das perguntas realizadas pelo público presente. A primeira questão foi referente à ausência da palavra de Rita Lee no filme, que segundo Fontenelle, ela não quis gravar nenhum depoimento, mas autorizou o uso de sua imagem e gravações das quais ela participa.
Não faltaram elogios e palavras positivas a Arnaldo, que bastante emocionado, respondeu a todas as perguntas do público. Dentre muitas, disse que adora Jethro Tull, gosta da psicodelia dos Beatles e prefere a batida dos Stones, quando comparados um com o outro, mesmo ao revelar que nem sabe direito o significado da palavra “psicodelia”, também deixou bem claro que o som que prefere são os valvulados e que teria interesse em montar uma exposição das suas pinturas.
Do começo dos Mutantes, da paixão pela Rita Lee, das drogas, discos voadores e do acidente quase mortal, Arnaldo não censurou nenhuma etapa da sua carreira. Sua vida com Lucinha Barbosa em Minas Gerais, revela uma fase de grande produtividade artística através de desenhos e pinturas, resultados de uma terapia do recomeço de uma nova vida.
Arnaldo Baptista revela a paixão pela sua mulher, pela sua arte, pelos velhos, crianças e animais, vivendo feliz e em paz, da loucura de um homem, de um artista e de um sábio de vinte anos à sua frente, agora eternizado com esta homenagem chamada “Loki”.
